Estamos vivendo tempos perigosos, marcados por ódios e acusações infundadas na politica e nas religiões.
Uma pesquisa sobre violência religiosa e intolerância, realizada por órgãos de Direitos Humanos do Governo Federal e apoiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), traz dados alarmantes. Espaços de cultos das tradições de matriz africana são destruídos. Capelas e igrejas católicas são depredadas. Em revide, mas em menor escala, templos evangélicos sofrem agressões. Também há vandalismo em mesquitas.
Recentemente, um colega compartilhou que, em determinado lugar, duas igrejas evangélicas, uma em frente a outra, medem a presença de Deus pelo volume do alto-falante. Em outro lugar, evangélicos jogam maldição sobre um templo espírita para dizer de que lado está a verdade. Mais preocupantes são as agressões físicas e verbais por parte de quem se sente ‘dono da verdade’.
O diferente é demonizado, condição para justificar intolerância e violência religiosa. O nosso Professor e Pastor Dr. Gottfried Brakemeier acertou em cheio quando afirmou: ‘Aos adeptos, é prometido o céu, enquanto os dissidentes são remetidos ao inferno’. Isto está escrito em seu livro Sabedorias da fé – Num mundo confuso.
Precisamos de muita sabedoria, especialmente quando ouvimos de líderes religiosos com amplo sucesso na televisão palavras incitadoras ao ódio e à demonização. O referido evangelista, querido por alguns em nossa Igreja, afirma que quer um Estado laico que lhe defenda o direito de demonizar os outros. Talvez seja o único que tenha coragem de assumir tal incitamento ao ódio, mas não está sozinho e representa tantos outros.
Não serve de consolo, mas Jesus também foi demonizado. Os seus opositores diziam que ele expulsava os demônios porque estava possuído pelo maioral dos demônios (Mc 3.22ss). Jesus diz aos adversários que uma casa dividida não subsiste. Ele expulsa o mal pelo poder de Deus, mostrando, assim, a proximidade do Reino. Além disso, acusa os seus adversários de se portarem como guias cegos, que coam mosquitos e engolem camelos (Mt 23.24).
Assim podemos ver os nossos exorcistas na mídia. Ao expulsarem espetacularmente os demônios, estão coando mosquito e engolindo o camelo. Ficam ricos com a exploração da fé do povo, que é enganado e que se engana, ao acharem que camelo passa pelo fundo de uma agulha.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus, disse Jesus no Sermão do Monte.