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Ivoti – É um desafio novo. Uma porta que se abriu para novos conhecimentos. Assim, o empresário Marcos Kern define sua gestão à frente da Associação Evangélica de Ensino (AEE) – também conhecida como Instituição Educacional Ivoti – que tem como finalidade preponderante promover a educação, bem como a cultura, a arte, o esporte, o lazer, as ações sociais e a manutenção da moradia escolar. A associação é a mantenedora do Instituto de Educação Ivoti (IEI), Instituto Superior de Educação Ivoti (ISEI), Instituto de Formação de Professores de Língua Alemã (IFPLA) e do Centro Integrado de Serviços de Apoio (CISAP).

Kern assumiu o lugar de Sereno Horst, falecido aos 61 anos em dezembro do ano passado em decorrência de falência múltipla dos órgãos, após batalhas recorrentes contra um tumor cerebral.

Marcos comanda a AEE até abril de 2013, podendo ser reeleito. Como a instituição é uma associação civil constituída por cinco associadas (todas com personalidade jurídica), cada uma delas nomeia cinco representantes que passam a ocupar a função de curador(a) no Conselho de Curadores da entidade. Este colegiado é o que elege o Conselho de Administração. O mandato do Conselho de Administração é de três anos.

Em entrevista, Kern falou de sustentabilidade, projetos e planejamentos futuros da AEE e das instituições que ela mantém.

Entrevista:

– Como é o desafio de presidir uma associação que possui mais de 100 anos?

Marcos Kern – É um desafio novo. Não sou da área de educação, e, assim, é algo totalmente novo para mim. É bem empolgante, porque eu estou aprendendo coisas novas com pessoas de ramos diferentes. De qualquer modo, é excelente compartilhar essas ideias, levando um pouquinho do pensamento meu para um negócio tão grande que é essa instituição. É prazeroso poder fazer isso e é uma porta que se abre para novos conhecimentos.

– E como é o legado deixado pelo Sereno Horst?

MK – O Sereno foi quem abriu o horizonte para o debate e mostrou a importância do planejar melhor a nossa associação. Hoje mudou um pouco essa questão da filantropia. A legislação está clara para nós e conseguimos enquadrar a associação. Agora precisa haver um planejamento para o futuro do negócio AEE.

Sereno começou todo esse trabalho de planejamento. Ele foi o mentor da frase: toda unanimidade é burra. Isso chocou muito, porque na verdade é uma entidade, em princípio, fechada que hoje ela está marcando presença mais forte na comunidade escolar e no ambiente cidade.

No ambiente região estamos nos posicionando. Para isso se efetivar tem que acontecer um planejamento, e é isso o que a gente está começando a fazer. Precisamos ter um direcionamento do norte e dos caminhos a serem seguidos.

A administração educacional é boa. Urge, no entanto, fazermos um planejamento para a condução do negócio AEE, porque ele também precisa se rentabilizar para poder se manter no mercado. Hoje, diferente do passado, praticamente não recebemos mais recursos do exterior – a única exceção é o IFPLA que recebe recursos do Governo Federal da Alemanha para a formação de professores de língua alemã. No exterior o Brasil é visto como um país em pleno desenvolvimento, um país do futuro. Hoje é preciso ter sustentabilidade.

– E esse planejamento para a AEE é por quanto tempo?

MK – O planejamento inicial é para cinco anos, depois quinze e posteriormente, vinte.

– Você como empresário, como enxerga o futuro do negócio AEE?

MK – Estamos no caminho correto, de planejar o negócio. Para se comandar uma entidade, é preciso ter pessoas que desejam colaborar com o planejamento. Hoje estamos buscando pessoas que possam ajudar a coordenar esse planejamento. Não só temos que nos preocupar com a questão pedagógica – o que está sendo feito. Queremos e precisamos de um planejamento estrutural.

Quanto nós queremos crescer? O que nós queremos fazer no nosso negócio? Não adianta, dinheiro não vem mais de nenhum lugar, ele tem que sair do próprio negócio – com base nesta lógica o planejamento tem que acontecer. É preciso haver um superávit para que se possa manter o negócio em funcionamento. Todo o dinheiro que entra e todo superávit, nos termos estatutários, é reinvestido.

– Como é que explica esse formato de escola? totalmente diferente? Normalmente conhece-se escolas públicas ou privadas, no sentido exato da palavra.

MK – É comum. Há muitas escolas assim. Nossa instituição é comunitária e há várias, no Sul do Brasil, com esta característica, organização e perfil. Nós somos considerados escola privada, nos termos da legislação. A Associação Evangélica de Ensino, é filantrópica, não distribui lucro a quem quer que seja, visa superávit, para reinvestimento em educação, nos termos estatutários.

– E o novo prédio da Educação Infantil do IEI?

MK – Esse prédio já estava aprovado pelo conselho e atualmente está em construção. A partir de janeiro queremos que a estrutura esteja pronta para atender a demanda da educação infantil dos o aos 5 anos. É um prédio com uma estrutura moderna, com um planejamento ecologicamente correto, visando a economia de água e luz. Um prédio com estrutura para atender uma carência que o município tem.

– Tem novos projetos para a AEE?

MK – Tudo depende agora desse novo planejamento. Estamos contendo custos, a não ser investimentos em manutenção e melhorias imediatas. Antes de termos esse planejamento pronto, a gente não vai investir em outras coisas. Tudo depende desse planejamento organizacional, operacional e estrutural.

O planejamento atingirá duas áreas: estrutural e o físico e de pedagógico .

– Como a escola está economicamente?

MK – Ela está em condições estáveis. Necessitamos do planejamento para crescer.

– Como o senhor enxerga a escola no futuro? O que projeta?

MK – O futuro é grande. Na verdade a demanda acontece em função da busca das pessoas por escolas boas e pela necessidade de se estudar. Os empresários precisam de colaboradores que buscaram/buscam conhecimento na escola . Antigamente, os empresários queriam que as pessoas passassem o tempo integral trabalhando. Hoje, os empresários necessitam de colaborador com o perfil daquele que pensa e não seja um analfabeto funcional. A pessoa precisa pensar, ela precisa nos ajudar a pensar o negócio. Eles são os sujeitos, são os executores. Necessita-se de planejamento sempre. Todos precisam poder dar e estar em condições de dar sua opinião, posicionando-se dizendo o é possível ou não.

– E o Marcos Kern empresário, o que hoje ele dirige?

MK – Eu sou diretor do Supermercado Kern que está ligado a rede Unisuper, da qual também sou diretor e também mantenho uma empresa chamada Benazi que é do ramo de hortifruti. Todo o dia passo nas três empresas. Chego a passar quase 14 horas por dia trabalhando, mas faço isso tudo com muito prazer.

– E o futuro de Ivoti e região, como é que o senhor vislumbra, como empresário?

MK – A região toda está tendo um crescimento muito grande. O que precessitamos para Ivoti imediatamente é a força de trabalho. A cidade precisa de indústrias que trazem renda para a cidade – que não precisa e talvez nem deveria ser de calçado, de curtume, que não seja poluente, para ocupar e crie alternativas para nossa força de trabalho. O comércio tem um limite. Precisamos de indústrias na nossa cidade.

– Para empresários que gostariam de auxiliar a associação. O que senhor indicaria, como exemplo?

MK – Eles poderiam reverter imposto de renda em algumas ações que desenvolvemos como iniciativas da Ascarte e o projeto de atletismo do IEI. Acho que são projetos e iniciativas que os empresários podem ver com bons olhos Estão aqui, estão em Ivoti, estão na mão.

– Para finalizar, gostaria de dizer alguma palavra?

MK – É muito bom fazer algo sem fins lucrativos e ajudar uma entidade dessas e trazer um pouquinho do conhecimento e , além disto, sempre aprender, o que é muito bom para qualquer pessoa.

 

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