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É com este título que o “site” www.brasilalemanha.com.br informa sobre o ato público de reconciliação que envolve os descendentes dos Mucker, em Sapiranga, RS. No domingo, 24 de maio, um abraço selou a paz entre as famílias originárias das facções rivais. Cento e trinta e cinco anos após o massacre – em 2 de agosto – será inaugurado um memorial registrando o fim do antagonismo. A iniciativa é dos pastores evangélicos da região, com o objetivo de ajudar a superar o estigma do preconceito e perdoar as injustiças cometidas à época.

Tudo começou em 1868, quando imigrantes alemães ficaram insatisfeitos com a precariedade da assistência médica e educacional. Esses colonos eram liderados por João Maurer, conhecedor de ervas medicinais. Sua esposa, Jacobina Mentz Maurer, valendo-se da ausência de padres e pastores, dirigia celebrações religiosas, lendo e interpretando os textos bíblicos. Desde criança, Jacobina entrava em transe e diagnosticava doenças. Apresentava-se como a própria encarnação de Cristo, prometendo estabelecer a “Cidade de Deus”.

A expressão mucker significa “falso religioso”. Os seguidores de Jacobina eram vistos assim pela comunidade. Havia um forte sentimento de “traição” entre os colonos em
relação àqueles que prosperaram economicamente. A “elite” sapiranguense era ligada às Igrejas Luterana e Católica. É do conflito entre os camponeses empobrecidos e as elites que explodiu o movimento dos “mucker”. Com o tempo, o casal Maurer ganhou fama e a movimentação no morro do Ferrabraz incomodou moradores e autoridades. Acreditando tratar-se de uma seita, pediram a intervenção do Exército. No conflito final, no dia 02 de agosto de 1874, dezenas de Mucker foram mortos – entre eles, a líder, Jacobina. Os sobreviventes foram condenados, mas apelaram e foram liberados em 1883. Para fugir às perseguições dos habitantes do lugar, mudaram-se para Lajeado. Lá, no Natal de 1898, foram atacados e chacinados, falsamente acusados de um assassinato.

Para maiores informações, assista ao filme “A Paixão de Jacobina”, história de uma mulher à frente do seu tempo.

 

Pastor Geraldo Graf


Publicado na edição 86 do Informativo dos Luteranos – julho/2009