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O alicerce da confissão luterana: somente Cristo

Na opinião dos luteranos, ‘Somente Cristo’ é o suficiente para a nossa vida aqui na terra e também para depois. Exemplificando isso, tenho contado um episódio: era dia de forte chuva e o trânsito parou, mas eu tinha que viajar. Num posto de gasolina, olhei por uma carona, quando encostou um carro. O motorista foi ao restaurante e nós também. Foi quando uma senhora constatou ‘Sr. Pastor, hoje o senhor não viaja!’. O motorista nos olhou ‘É Pastor de que Igreja? Da luterana?’.

Pouco depois, ele voltou a falar conosco ‘Se o senhor me responder com toda sinceridade a uma pergunta que tenho, eu o levo’.

No carro, nos apresentamos. Ele falou da família e estava gamado na filha de cinco anos. Era um verdadeiro ‘pai coruja’. ‘E a pergunta?’, eu prometera responder.

A pergunta era precisa: ‘É verdade que os luteranos acreditam que a pessoa pode aprontar o que quiser, que Deus perdoa tudo e sempre?’ ‘É’, minha resposta era de uma só letra. ‘Mas não pode! Onde é que pára este mundo se Deus perdoa tudo!?’

Pensei um tempo, depois continuei ‘Se sua filha de cinco anos aprontar das dela, você faz o quê? Você a castiga severamente?’ ‘Bom’, respondeu ele, ‘Aí, castigo não resolve. Eu a tomo nos meus braços e a aperto com todo o meu carinho. Isso resolve tudo, mas ela é só uma criança…’. A conclusão foi fácil: perante Deus, somos sempre crianças e o seu abraço resolve. Cristo é o abraço de Deus.

No tempo de Lutero, o ‘Somente Cristo’ significava, passado à prática, três senhas: Somente pela fé – contra a tese que as boas obras resolvem tudo, Somente pela graça – contra a tese que a compra de indulgências resolve e Somente pela Escritura, a Bíblia – contra as revelações recebidas individualmente. Hoje, penso que o Somente Cristo deveria ter as seguintes três senhas: Somente pela comunhão – contra a fervorosa piedade individualista, Somente pelo abraço – contra a busca por cura de doenças físicas e mentais e Somente pela dignidade (da pessoa e da criação) – contra o apostar em mera segurança e prosperidade.

O Somente Cristo resolve sempre, também, por exemplo, o nosso relacionamento com árabes muçulmanos, povos indígenas, no trânsito, na criminalidade no País…


Para refletir, leia Lucas 15
P. Helmut Burger

(Fonte: Jornal Evangélico Luterano, Número 692, Jan.-Fev. 2007, p. 10)