Nas minhas visitas e nos meus encontros com lideranças e Ministr@s da IECLB, o cenário político brasileiro tem sido pauta de muitas conversas e discussões. Não há como não ficar preocupado! Dá vontade de chorar, como fez João no Apocalipse! No capítulo 5 do livro do Apocalipse, um anjo pergunta: Quem é digno de quebrar os selos e abrir o livro? É a pergunta por quem tem o poder, por quem pode mudar o quadro de desesperança que se instaurou na vida da Igreja no final do 1º século. João chora muito, porque não havia alguém que pudesse abrir o livro para ver o que lá estava escrito. Um dos líderes o consola e diz: não chore. Olhe! e João vê o Cordeiro, Jesus, tomando o livro nas mãos!
Afinal, que Brasil nós queremos? Que Brasil você quer para você e aqueles que virão depois de você? Destaco dois temas que estão na pauta: (a) o projeto de Redução da Maioridade Penal e (b) o Plano Estadual e o Plano Municipal de Educação como concretização do Plano Nacional de Educação aprovado pelo Congresso Nacional, que contemplava questões de gênero. Ambos os temas provocaram discussões extremamente polarizadas. Em uma perspectiva positiva, isso revela que as pessoas querem sair da sua posição de expectadoras e participar na formulação, implementação e fiscalização de políticas públicas.
Como destaca o P. em. Gott fried Brakemeier (Igreja e Política, 1988), ‘o engajamento político, empenho pelo bem comum, defesa da justiça, é mandato de Deus e uma forma de servir às pessoas e ao próprio Criador’.
Nós confessamos, como João no Apocalipse, a soberania de Deus, revelada a nós em Cristo. Não reconhecemos acima de nós nenhuma outra autoridade do que a desse Deus de amor, que quer a justiça como fruto da fé. Esta compreensão é fundamental, porque, a partir da Teologia luterana, entendemos que Deus tem o Estado como instrumento de ação no mundo para a justiça. Deus coloca a seu serviço governos e instituições, independente da sua orientação religiosa. Por isso mesmo, a IECLB faz parte da tradição protestante que se empenha pela separação de religião e Estado. Ela defende o Estado laico e condena vícios nefastos, que geram desgraças na cultura política brasileira como a corrupção.
A justiça engrandece um povo, mas o pecado é uma desgraça para qualquer nação (Provérbios 14.34).
P. NESTOR FRIEDRICH
Pastor
Presidente da IECLB