Enquanto somos sufocados por notícias sobre corrupção, o que nos deixa quase sem ação, de lugares distantes do centro do poder do Brasil vêm notícias alentadoras, que mostram o poder emanando do povo, como reza a nossa Constituição Federal.
Mesmo que seja algo localizado e talvez não chame a atenção dos grandes meios de comunicação, os exemplos da população de Jacarezinho e de São João da Platina, no norte do Paraná, podem ser sinais de justiça e esperança em nosso meio.
A população, sem cor partidária, está pressionando as Câmaras de Vereadores para baixarem os salários das pessoas que foram eleitas pelo povo. Em uma das cidades, a população definiu os proventos em um salário mínimo, bem abaixo do que o Vereador tem direito de receber – até 70% de um Deputado Estadual, o que é um absurdo.
Governantes
são
empregados
do povo |
A pressão popular foi tanta que os Vereadores já baixaram os seus salários, mas não chegaram ao pretendido pela população organizada, que promete não dar trégua aos Vereadores até a eleição do ano que vem.
O poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esta é a fonte inspiradora dos movimentos populares nesses dois municípios. Relacionada a este princípio fundamental da nossa Constituição, está a ideia de que os governantes são empregados do povo – e, de fato, o são!
Parece-me que o movimento está se espalhando pelo o norte do Paraná. Esperamos que se espalhasse por todo o Brasil, orientando o debate nacional para além da corrupção. Altos salários na esfera pública são um princípio de corrupção.
Recentemente, a Câmara de Deputados votou uma proposta de equivalência dos salários para algumas carreiras de Estado a de 90% do que ganha um Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que passa de R$ 30.000,00. Poucos Deputados votaram contra. Também o Presidente do STF levou à Chefe do Executivo o pedido para que o salário de um Ministro do STF chegue a quase R$ 40.000,00 no ano 2016.
Como a ideia que o governante é empregado do povo vem da Reforma, as Comunidades da IECLB poderiam movimentar as cidades onde estão situadas a seguirem o exemplo das populações do Paraná. Temos respaldo ético para isto. As nossas Comunidades são transparentes e sabem fazer muito com pouco. Somos um ótimo exemplo de gestão pública, mas falta assumirmos que somos protestantes!
Melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.