Era 7 de setembro, Dia da Independência, e lá eu estava, na fila do mercado, aguardando a minha vez para ser atendido. Diante de mim, um senhor franzino, com roupa simples e linguagem sábia, discursava para todos, dizendo que aquele era o ‘dia da mentira’. Inicialmente, me pareceu um chato em busca de plateia. Mesmo assim, fiquei atento. Chamou a atenção quando citou um Professor da Universidade Jesuíta e um livro de História ganho deste.
‘É mentira dizer que o nosso país é independente’, continuou. ‘Aqui, ainda os americanos mandam. A verdade é que ainda somos escravos. No dia 20 de setembro, quando o Rio Grande do Sul festeja a Revolução Farroupilha, teremos um outro ‘dia da mentira’. Bento Gonçalves prometeu libertar os negros e o que fez, ao final? Uma cilada para que todos morressem. Então, amigo, use bota e bombacha, mas fique com esta alegria no seu coração, porque será mais um dia de mentiras’, e apontou para a televisão.
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A coragem que um bom livro pode despertar |
Não sei se ele sensibilizou os demais daquela fila, que estava grande, apesar da crise econômica. Mesmo assim, deixou o seu recado com a coragem que um bom livro pode despertar na vida de uma pessoa que não frequentou os bancos universitários.
Este episódio me lembrou da divulgação de uma pesquisa sobre livrarias no mundo. Buenos Aires, capital da Argentina, nosso país vizinho, ganhou disparado de muitas regiões do mundo por ter uma livraria para cada quatro mil habitantes, ao passo que, entre nós, há uma livraria para, aproximadamente, 45 mil pessoas. Não estamos perdendo apenas no futebol, mas na leitura.
Certamente, aquele o senhor humilde da fila pode ser a chave para entender o nosso desinteresse por leituras: os livros abrem a nossa mente, os nossos olhos e as nossas bocas e nem sempre (quase nunca!) gostamos de ser despertados das nossas dependências.
Os livros também apontam para Jesus Cristo, o qual encorajou os seus seguidores: Não tenhais medo deles, portanto. Pois nada há de encoberto que não venha a ser descoberto, nem de oculto que não venha a ser revelado. O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia: o que vos é dito aos ouvidos, proclamai-o sobre os telhados (Mt 10.26-27).