Aliança que traz perdão e salvação
A morte de Jesus Cristo pode ser vista a partir da perspectiva histórica ou do seu aspecto teológico. Em qualquer caso, a morte na cruz foi consequência do falar e do agir de Jesus. Teologia e história não andam separadas.
O falar e o agir de Jesus estavam determinados pelos princípios do Reino de Deus. Estes princípios, muitas vezes, exigem inversão de valores. Pessoas excluídas são acolhidas. Pobres recebem a boa notícia de que serão saciados e terão o Reino de Deus (Lc 6.20s). Diante do acúmulo de riquezas e da concentração de bens, Jesus fala em solidariedade e partilha (Lc 12.16-21 e Mc 12.41-44). No lugar do ódio e da violência, ele prega a renúncia à violência e encoraja ao amor, inclusive ao inimigo (Mt 5.39-41 e 44). Em vez do poder como dominação, o Reino de Deus requer o poder como serviço (Mc 10.42-44).
Reino de Deus significa domínio de Deus. O domínio de Deus acontece onde e quando pessoas sujeitam-se à sua vontade. Isto não tem apenas consequências pessoais. O domínio de Deus abrange todas as dimensões da vida pessoal e da sociedade. Nenhum valor ou atitude estão livres de serem questionados pelos princípios do Reino de Deus. Isto pode perturbar! Jesus morreu porque a sua pregação e a sua vivência do domínio de Deus incomodaram pessoas e grupos. Que ‘incômodos’ a pregação do Reino de Deus nos traz hoje?
Jesus não apenas contava com a possibilidade de morrer por causa do Reino de Deus, mas assumiu a sua morte como sacrifício em favor da humanidade. Na última ceia que teve com os seus discípulos, Jesus afirma que o seu sangue, que será derramado, constitui a nova aliança em favor de muitos (Mc 14.22-24). A expressão ‘em favor de muitos’ é linguisticamente aberta e aponta para toda a humanidade. Jesus não sofreu passivamente a morte, mas reconheceu nela um sentido salvífico. Está aí a sua dimensão teológica.
A morte na cruz não foi um fim vergonhoso. Deus transformou o sacrifício de Jesus em aliança que traz perdão e salvação. Todas as pessoas, inclusive aquelas endurecidas para a mensagem do Reino de Deus, podem ser alcançadas pelo perdão. A nova aliança não foi selada apenas com a morte, mas com a ressurreição. A ressurreição é a comprovação de que Deus aceita o sacrifício de Jesus. Também evidencia que Deus está acima de todas as vontades e dos poderes humanos. Pôncio Pilatos teve o poder de mandar matar Jesus, mas Deus teve o poder maior de ressuscitá-lo. O poder do amor é o maior de todos. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).
Para refletir, leia 1Coríntios 15.1-1
Jesus é o Salvador, o Messias!
Centenas de anos antes do nascimento de Jesus, a Bíblia registra as palavras dos profetas que anunciavam a sua vinda. Tudo aconteceu como estava previsto: o seu nascimento, a sua vida, as suas curas, os seus milagres, a sua morte e a sua ressurreição. Jesus é o Salvador, o Messias! Também é líder, mestre, pedagogo, missionário, catequista, pastor e diácono.
O Pastor e Teólogo norueguês Kjell Nordstokke, que atuou no Brasil, escreve ‘A diaconia está fundamentada biblicamente na pessoa de Jesus Cristo. Diaconia vem da palavra grega diakonia, que significa serviço. Diaconia é ação, a partir da identidade cristã, em um contexto de sofrimento e injustiça, com a finalidade de transformar’. O que nos motiva para a ação diaconal é a fé cristã. Crer em Deus leva à ação.
É pela diaconia que Jesus se define a si mesmo, conforme Mc 10.45 Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos. Jesus se coloca como servo de Deus por excelência – Pois no meio de vós, eu sou como quem serve (Lc 22.27c). Jesus também diz que quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva (Mc 10.43).
O Novo Testamento relata que Jesus percorria cidades e povoados, indo ao encontro das pessoas, ensinando e curando enfermidades (Mt 9.35ss).
Jesus vê, ouve e se compadece das pessoas.
Quando perguntam pela identidade de Jesus, este responde Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres está sendo pregado o Evangelho (Mt 11.5s). As suas ações de transformação o identificam como sendo o Messias anunciado.
Os desafios da época de Jesus continuam atuais. Ainda há discriminação, exclusão, injustiças, desigualdade social, diferenças de raça, classe social e ideologia. A atuação de Jesus nunca foi discriminatória ou preconceituosa. Ele visitou e comeu com publicanos e pecadores, acolheu, libertou e convidou pessoas a não pecarem mais (Jo 8.1-8). Jesus levou a sério as pessoas que o procuraram, conversou com elas, auxiliou-as concretamente em suas necessidades (Mc 5.21-43). Jesus procurou entender preocupações, perguntou sobre sentimentos, respeitou e teve sensibilidade.
Toda a vida e o agir de Jesus apontam para o Reino de Deus e visam a resgatar a dignidade da pessoa humana. Jesus questiona leis e costumes que prejudicam a vida e não favorecem a vivência do amor.
Nós, pessoas cristãs, somos desafiados a continuar a missão diaconal de Jesus. A diaconia incentiva a esperança. Diaconia parte do real, da necessidade e aponta para um novo jeito de ser Igreja. Diaconia transforma o mundo, deixando sinais concretos do grande amor de Deus na nossa vida.
Para refletir, leia Mateus 25.31-46