Refletir sobre o contexto atual em que vivemos no Brasil e no mundo e fazer esta reflexão à luz da Educação Cristã Contínua é uma perspectiva necessária. Unir contexto e educação compromete o próprio ato de pensar, agir e inserir-se no mundo. Negar a realidade, o contexto social, representa, na perspectiva da educação, pura transferência de conteúdo, que leva à simples adaptação resignada ao mundo.
No caso da Educação Cristã Contínua, não é diferente. Seria um equívoco elaborar programas e processos de educação cristã descolados da atual realidade social, política e econômica. Palavra e mundo, teoria e prática, texto e contexto devem estar sempre associados. Assim sendo, o processo de educar na fé não pode ser pura transferência de conteúdo, mas diálogo que leva à compreensão e à mudança do mundo, superando o conservadorismo e avançando em direção a um ensino comprometido com a transformação da realidade.
Falar sobre o contexto em que vivemos, para, a partir dele, refletir e agir, significa ler e analisar o mundo em que estamos vivendo. É preciso afirmar e reafirmar, sempre, que a educação requer criticidade. No contexto do diálogo sobre Educação Cristã Contínua, esta não pode cair no erro de ser compreendida como ´qualquer coisa, qualquer conteúdo´. Cada pessoa e cada instituição devem assumir o seu papel de educadoras, o que implica uma postura política consciente de saber-se um educador, de autocompreender- se como sendo um espaço educativo.
Assim é preciso perguntar a nós, cidadãos e também membros e instituições da IECLB: O que estamos ensinando? Como estamos ensinando? Para que estamos ensinando? A que projeto de Igreja e de sociedade os nossos processos educativos se destinam?
Como Igreja, também devemos nos perguntar como experimentamos e comungamos os valores cristãos. A comunidade cristã é um espaço, uma comunidade educativa. É um espaço no qual se ensina e se aprende de maneira contínua, por meio de conteúdos, mas, principalmente, a partir da convivência e das atitudes. Com base no Evangelho de Jesus Cristo, se pode afirmar que este aspecto é central na Educação Cristã.
Este conviver educativo é um processo constante de mútua transformação. Para isso, é preciso que tenhamos cuidados para que a educação nos diferentes grupos da Comunidade não seja estanque e puramente racional. A Educação Cristã Contínua é processual, reflexiva e vivencial. Todas as iniciativas educativas específicas das Comunidades deveriam ser percebidas dentro deste paradigma de ser a Igreja uma grande comunidade de aprendizagem, em que todos ensinam e onde todos sempre têm algo a aprender.
Pa. Dra. Rosane Pletsch, graduada e doutora em Teologia pela Faculdades EST,em São Leopoldo/RS, é Professora Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Teologia e Gênero na Faculdade Evangélica de Nicarágua e atua como Pastora em Vila Velha/ES