Natan Ferreira Louzada
Projeto Educar Pela Paz
P. Francisco Santos
Orientador teológico do Conaje Comunidade Norte Fluminense/RJ
O Tema do Ano de 2014 da IECLB, viDas em comunhão, convidou a refletirmos sobre a vivência comunitária e a identidade luterana nos grandes centros urbanos e a consequente busca pela paz. Esse Tema tem tudo a ver com Juventude Urbana.
A vida na cidade exige das pessoas jovens a superação de grandes desafios sociais até chegarem à vida adulta. O enfrentamento da realidade brasileira urbana não é fácil. A dinâmica dos grandes centros urbanos com a propagação de processos de exclusão e de extermínio de uma ‘juventude urbana pobre’ traduz esse processo de apartação social se refletindo em uma educação pública precária, na falta de horizontes profissionais e nas altas taxas de desemprego juvenil. Podemos acrescentar um item nessa lista: a violência. Segundo o Mapa da Violência 2013 – Homicídios e Juventude no Brasil, do Sociólogo Julio Waiselfi sz, analisando os dados, podemos verificar o crescimento de vítimas de homicídios juvenis na última década, em grande parte jovens afrodescendentes.
A comunhão, a busca por vida nesse emaranhado excludente urbano, para a grande maioria das pessoas jovens, se dará em movimentos urbanos em expansão, ligados a uma cultura musical (funk, rap, forró ou sertanejo), que promovem a sociabilidade, o sentimento de pertença a uma tribo, grupo, galera. O ponto de encontro passa a ser o baile, pois ali tem diversão. Porém, nesses lugares, muitas vezes, não se promove a vida, em função das pessoas jovens estarem expostas a drogas e violência. Aqui está o desafi o para todos nós: compreender ‘essas novas linguagens’ e as dinâmicas trazidas por jovens marginalizados. Aqui entram a missão e o papel das nossas Comunidades luteranas no contexto urbano: ser ‘espaços’ de acolhimento, comunhão e preservação da vida para as pessoas jovens.
Cada Comunidade deveria promover ações missionárias e diaconais para o trabalho urbano com jovens no testemunho da Palavra. Na esfera social, as Comunidades deveriam reivindicar políticas públicas voltadas para a juventude. Assim daremos passos de modo a encontrar novas saídas para uma inversão da realidade de exclusão e vulnerabilidade de grande parte da juventude brasileira.