Como vai a Comunidade da qual faço parte? A resposta a esta pergunta tem muito a ver com a atuação das suas lideranças. A capacidade das lideranças para exercer a sua função é um termômetro do testemunho cristão da Comunidade.
Deus é todo-poderoso! Assim aprendemos quando ainda somos crianças. Está no Pai Nosso e no Credo Apostólico. É o que diz a Bíblia. Desde o relato da Criação, no Gênesis, até a promessa da criação de novos céus e nova terra, no Apocalipse, passando pela ressurreição de Jesus, fica claro: Deus pode fazer o que é impossível ao ser humano, por isso, a rigor, Deus não precisa de pessoas para que os propósitos se cumpram.
Por outro lado, na sua soberania, Deus pode incluir pessoas nos seus planos e Ele o faz. A Bíblia contém inúmeros testemunhos de pessoas que foram chamadas e incumbidas por Deus. O ser humano foi criado parecido com Deus (Salmo 8), ou seja, para refletir a sua imagem. Deus chamou e chama pessoas para cumprir com os seus propósitos de amor e de misericórdia. Algumas dessas pessoas tiveram papel destacado: Abraão, Sara, Moisés, Rute, Davi, Jeremias, Maria, Paulo… Outros tantos serviram e servem quase sem serem notados e nem por isso são menos importantes. O que importa não é o registro feito pela história, mas, sim, aquele que está no coração de Deus.
Igualmente interessante é olhar para a história de Jesus. Ele poderia muito bem ter vivido de forma solitária e, ainda assim, ter dado a sua vida para salvar a humanidade, mas não foi o que aconteceu. No tempo que durou o seu ministério, chamou pessoas comuns, com diferentes jeitos, assim como nós, para serem seus seguidores e discípulos. Para a tarefa que teriam pela frente, conviveu com eles e preparou- os, com ensinamentos e com prática. Um intenso curso de formação de lideranças!
Quando Martim Lutero abordou o assunto Sacerdócio Geral de todos os Crentes, ele não estava ‘inventando a roda’, mas apenas, com muita propriedade, recuperando o que é próprio do povo de Deus. Em 1Pedro, os cristãos são chamados de sacerdotes do Rei. Afirma-se a seu respeito ‘vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’ (2.9). Detalhe fundamental: esta palavra se dirige à comunidade e não apenas aos Ministros ordenados. Todos receberam dons e são chamados a servir por meio deles.
Temos, pois, como IECLB, uma preciosa herança. Ela está expressa no Guia Nossa Fé-Nossa Vida, que afirma ser função do Ministério ordenado motivar os membros a ler a Bíblia e conscientizá- los de sua vocação e capacitá-los para o serviço de testemunhar o Evangelho em família, no lugar de trabalho e estudo, na Comunidade e na sociedade em geral (p.11). Eis um belo desafio para os Ministros: olhar para as pessoas da Comunidade, percebendo os seus dons, motivando-as a servir e preparando-as para tanto. Eis um belo desafio para as lideranças: participar desta tarefa de ‘garimpar’ dons e dispor- -se a participar nas oportunidades de formação que são oferecidas.
A formação de lideranças é um termômetro da Comunidade e isso fica mais visível quando há vacância de Ministro. Em algumas Comunidades e Paróquias, quando falta o Ministro, rapidamente tudo vai parando: cultos, trabalho com jovens, estudos bíblicos, etc. Em outras, o Ministro também faz falta, mas as atividades têm continuidade. Sinal que as lideranças e os membros foram motivados e preparados para assumirem a sua função de sacerdotes. Sinal de maturidade cristã na Comunidade.
No planejamento do Sínodo Mato Grosso, constatamos que a formação de lideranças para os mais diferentes âmbitos é desafio permanente. Há situações nas quais as grandes distâncias dificultam a realização de encontros, mas ainda vemos pessoas com muita disposição para viajar centenas de quilômetros para participar de um encontro de OASE ou de um seminário para Orientadores de Culto Infantil. Aliás, é comum que os melhores exemplos venham de pessoas simples, com desprendimento e genuína vontade de aprender e de passar adiante o presente do Evangelho.
Presbitério – uma função essencial na Comunidade
As lideranças de uma Comunidade não são apenas as pessoas que ocupam cargos na linha de frente do Presbitério: Presidentes, Tesoureiros ou Secretários. Lideranças são todos os que ajudam na coordenação de alguma atividade na Comunidade, seja no Presbitério, no Ensino Confirmatório, na Diaconia, etc.
Quando uma Comunidade, Paróquia ou Sínodo planeja a formação de lideranças, vários segmentos devem ser atingidos. Um desses segmentos é o Presbitério. A sua função é essencial. Conforme 1Pedro 5.2, esta função consiste em pastorear o rebanho, fazendo-o de boa vontade. Implica zelar para que as pessoas da Comunidade e também as outras percebam a presença de Deus em suas vidas. Tudo o mais está a serviço desta causa maior. O foco são as pessoas. A referência é a forma como Jesus se relacionou e se preocupou com elas.
Um Presbitério preparado faz a diferença e é uma bênção
Um Presbitério preparado, que desempenha a sua função com vontade, com paixão e com alegria, faz adiferença e é uma bênção. A sua postura contagia positivamente os membros, pois percebem que a Comunidade, Paróquia ou Sínodo tem direção. Isto anima a ‘pegar junto’.
Um excelente material para a formação de Presbíteros é o Guia para o Presbitério, da Editora Sinodal. O seu valor e o seu conteúdo são acessíveis. O Guia para o Presbitério foi elaborado a muitas mãos, por Presbíteros e Ministros. Como os Presbitérios mudam de tempos em tempos, o Guia para o Presbitério pode ser estudado de forma continuada, pois os seus conteúdos contemplam muito daquilo que todo Presbítero deveria saber para cuidar bem do rebanho.