O que vem depois da morte?
P. Geraldo Graf, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS, com licenciatura em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina/ES. Atua como Pastor em Belo Horizonte/MG e também como Pastor Vice Sinodal do Sínodo Sudeste
Quando o assunto é eternidade, cada qual imagina um lugar, de acordo com as ideias que foram construídas ao longo da sua vida. Muitas pessoas imaginam um céu particular, exclusivo, e se arrogam o direito de indicar quem merece ou não entrar no mesmo. Comportam-se como se já estivessem lá ou como se o seu ‘arrebatamento’ fosse uma questão de tempo.
Nós não podemos especular sobre aquilo que vem depois da morte. Tão somente podemos confiar nas promessas bíblicas e ter a certeza de que Deus é o Pai amoroso descrito em Lucas 15, que nos acolhe nos seus braços apesar das nossas fraquezas. Ele é fiel e cumpre o que promete.
Muitos creem que Deus irá restaurar o ´paraíso perdido´, o Éden (Gênesis 2). Há quem imagine que esse paraíso será terrestre. Baseiam-se na descrição de Isaías 65.16b-25. Também há quem defenda que apenas 144 mil (Apocalipse 7.4) serão levados ao Céu, enquanto que os demais salvos permanecerão na ‘nova terra’, sem pecado, morte e mal.
Outra questão é o tempo. Muitos perguntam sobre quando o Reino de Deus virá. Alguns acham que o tempo de espera na sepultura é longo demais. Precisamos lembrar que nós somente enquanto vivos necessitamos de relógio e outros marcadores da passagem de tempo.
O que para nós parece uma eternidade, para Deus é como um piscar de olhos (2Pedro 3.8). Importante é confiar que nenhum de nós ficará esquecido. Todos nós estamos sob a promessa de Deus.
É fundamental ficarmos atentos aos ensinamentos de Jesus Cristo. Ele nos alerta contra a arrogância e o comodismo. Ser cristão não é considerar-se dono da salvação e omitir-se da prática do amor de Deus.
Em Mateus 25.31-46, Jesus descreve o que acontecerá no Juízo Final: seremos julgados pela obediência e pelo serviço que prestamos ao Senhor por meio do amor ao próximo. Nisto consiste a nossa fé. Martim Lutero descreve esse processo como uma dinâmica: Ser cristão não é um já estar salvo, mas um vir a ser salvo. Não é acomodação, mas é movimento. Ainda não é a chegada, mas é o caminho.
Um texto bíblico que fortalece a nossa esperança é João 14.1-6. Quem faz a promessa é aquele que entregou a sua vida na cruz para nos salvar, que ressuscitou, que está à direita de Deus e que virá para julgar vivos e mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor! Nele cremos e esperamos.
Na salvação, não importa se estaremos em uma ‘nova terra’ ou no Além. O importante é confiar que Céu é ali onde Deus está e Ele está em todos os lugares e acolhe nos seus braços todos que confiam e esperam Nele.
Para refletir, leia 1Coríntios 15.35-58
Morte: estou a caminho!
P. Dr. Nilton Eliseu Herbes, Doutor em Teologia e Especialista em Clínica Pastoral. Atua como Assistente Espiritual no Hospital Santa Catarina, em Blumenau/SC
Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e se morremos, também é para o Senhor que morremos. Assim, tanto se vivemos como se morremos, somos do Senhor (Romanos 14.8).
A morte… o fim dessa vida, me dirigindo em direção à próxima. Durante toda a história da humanidade, a morte foi tema de discussões. Filósofos e Teólogos divagavam sobre o grande mistério. No fim das contas, tudo o que nos resta é a certeza de que ela irá chegar: ´Um dia, a ‘dona morte’ nos visita, nos busca e nos leva com ela´.
Nos dias de hoje, começamos novamente a falar sobre a morte. Por muito tempo, ela se transformou em um tema tabu, nos fez calar. Com toda a política de humanização hospitalar e o fortalecimento dos cuidados paliativos, o tema da morte volta à tona. Ele vem coberto de inseguranças e medos.
Aos poucos, temos deixado de participar do cuidado do outro no final da vida. Esquecemos das palavras de Jesus: estava doente e cuidaram de mim (Mt. 25.36). Com a institucionalização hospitalar, a responsabilidade familiar de cuidar dos seus queridos foi transferida para Médicos e Enfermeiros. Assim, a morte saiu das nossas casas e também da frente dos nossos olhos.
O confronto com a morte leva-nos a amadurecer e obriga-nos a pensar na nossa própria finitude. Ao não querer pensar na morte, ao tentar fugir desse tema, fugimos também da nossa preparação à nossa partida.
Martim Lutero (1519), no ´Sermão sobre a preparação para a morte’ (http://pt.scribd.com/doc/2233020/Consolo-no-Sofrimento-Martinho-Lutero) define passos bem concretos que deveriam ser seguidos pelos cristãos que se dirigem à passagem dessa vida. Ele fala sobre atitudes bem práticas, como deixar os negócios em ordem, perdoar e pedir perdão, confessar os pecados, participar do Sacramento da Santa Ceia e assim ele escreve um guia com 20 passos. Na Idade Média, a preocupação com a morte e a salvação era um grande tema.
O preparar-se para a morte, também nos dias de hoje, deveria ser um exercício diário. A morte é o fim dessa vida, nada de material levamos daqui, deixamos tudo e todos para trás, por isso morrer é difícil, é triste, não queremos deixar esse mundo e dar um passo para o desconhecido, para onde tudo o que nos resta é a nossa esperança.
Confiemos no que o salmista nos diz: ´Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam´. Essa fé nos dá a certeza de que nunca estaremos sozinhos. Que Deus vai conosco também e, principalmente, nos tempos de sofrimento. Ele nos estende a mão para darmos o passo na sua direção.
Para refletir, leia o Salmo 23