Herança cultural de uma sociedade
A Lei 11.904/2009 diz que ‘Museus são instituições que conservam, investigam, comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico […]’. As várias definições encontradas sobre Museu têm aspectos em comum: a apresentação da herança cultural de uma sociedade e o papel reflexivo e educativo que ele proporciona.
Isso é perceptível quando visitamos os diversos museus que há no país. Um exemplo é o que trata sobre a vinda dos imigrantes. Os registros das dificuldades e dos desafios enfrentados naquela época nos provocam a pensar na coragem de homens e mulheres que atravessaram oceanos para tentar a vida em um lugar totalmente desconhecido. Contemplar fotos e conhecer as histórias permite que viajemos no tempo e possibilita sentir um pouco do que viveram muitos daqueles que são nossos antepassados.
Já as memórias do período escravocrata são mais perversas. Imagens e objetos que retratam como ocorria o tráfico de escravos, de como serviam aos seus donos, as condições de trabalho e de moradia são de arrepiar. Tratados como mercadoria e considerados animais, a vida deles não tinha valor nenhum e sobre eles tudo poderia ser feito. O que é pior: o trabalho árduo por mais de 300 anos na construção do Brasil raramente é lembrado. Outros registros, como o da Ditadura e das atrocidades que ocorriam contra homens e mulheres que lutavam pela Democracia são cruéis. Se refletíssemos verdadeiramente sobre o que a Ditadura fez, não teríamos torturadores nos representando politicamente. Nessas duas categorias de Museu, as memórias são doloridas.
Se Museus são espaços para reflexão e educação, se servem para se pensar no presente à luz do passado, podem nos ajudar a não repetir os erros cometidos. Então, sugiro, além desses dois últimos retratados, que se construa um sobre a corrupção. É hora de escancarar aquilo que nos acompanha desde a colonização, que continua nos assombrando e desviando recursos do país.
Expondo essa vergonha em Museu, quem sabe sirva para despertar novas atitudes nas pessoas. Assim poderíamos pensar na construção de uma sociedade isenta dessa herança cultural nefasta, uma sociedade em que haja a correta aplicação dos recursos a favor de toda a população, garantindo a ela os serviços básicos, fundamentais para uma vida digna. Em Provérbios 13.16, temos a seguinte orientação Em tudo o homem prudente procede com conhecimento, mas o tolo espraia a sua insensatez.