A ssim como a música nos convida a parar, fazer uma pausa, ouvir e meditar, a sabedoria nos ensina a viver. Há, evidentemente, uma diferença entre sabedoria e cultura. Igualmente, entre sabedoria e ignorância. A ignorância é sempre muito convicta. Já a sabedoria não. É muito modesta e tende até a ter algumas dúvidas. A história recente, no país e no mundo, mostra isso claramente. Cidadãos neste, mas não deste mundo, somos como cristãos sempre de novo confrontados com sabedorias e os seus arautos impondo-nos um jugo que ameaça a nossa dignidade, a nossa liberdade e a independência para, por si próprio, pensar e decidir. Às vezes, até pressupondo a nossa ingenuidade.
Para ser sábio, é preciso temer o Senhor, para ter compreensão é necessário afastar-se do mal, lemos em Jó 28.28. Há exatamente 25 anos, o Filósofo e Economista Político americano Francis Fukuyama publicava o seu livro O fim da história. Nele, pregava a vitória do liberalismo econômico e político sobre os totalitários e autoritários. O futuro pertence totalmente à democracia e à economia de mercado, pois ambos superariam todas as contradições e satisfariam todas as necessidades. Não, a vitória da ordem liberal não colocou fim a todas as ideologias tampouco às diferenças sociais existentes.
É verdade: temos no mundo, hoje, 120 democracias, quase quatro vezes mais que em 1974. 2014 é um ano eleitoral, iniciado na democracia de massa da Índia, passando pelo Brasil até os Estados Unidos. Jó, atingido por tantos problemas na família e com a sua saúde enfraquecida, dispensa livros de receita e teorias humanas. Ele sabe que a real sabedoria lhe permanecerá oculta. Mais: é independente de ouro e prata (Pv 3.13-15). Como também nós sabemos: Cristo é a chave que abre todos os tesouros escondidos do conhecimento e da sabedoria que vem de Deus (Col 2.3).
Ao celebrar a Proclamação da Independência, sabemos que não precisamos ‘morrer pelo Brasil’, mas necessitamos desta sabedoria que vem de Deus para, juntos, construirmos uma ‘Pátria livre’, uma democracia verdadeira, na qual a nossa presença não enuncie o fim da história, mas o início de novos tempos, em comunhão de vidas e de viDas em comunhão.
P. CARLOS MÖLLER
Pastor
1º Vice-Presidente da IECLB