Estas características pertencem somente a Deus?
P. Fernando Henn, formado em Teologia pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS e pós-graduado (lato sensu) em Missão Urbana também pela Faculdades EST. Atua na Paróquia de Cascavel/PR
São três características fundamentais de Deus: Ele tudo sabe, é poderoso e está em todos os lugares.
A onisciência indica que nada acontece sem que Deus saiba. No Sermão do Monte, quando Jesus fala sobre a oração, ele ensina: Antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam (Mateus 6.8).
Já o poder de Deus encontra a sua melhor expressão na cruz de Cristo. O apóstolo Paulo assim nos escreve: Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para nós, que somos salvos, é o poder de Deus (1Coríntios 1.18).
Quanto à presença de Deus, cremos que Deus está presente em todos os lugares. O salmista, conversando com Deus, questiona-se: Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (Salmo 139.7).
Quando nos questionamos se onisciência, potência e presença são qualidades exclusivas de Deus, somos obrigados a reconhecer que o mal também tem conhecimento, poder e presença no nosso mundo. No entanto, ele nos conhece e tenta nos dominar de modo diferente de Deus.
Enquanto Deus nos toca, despertando aquilo que temos de melhor, o mal tenta nos desviar dos ensinamentos de Jesus Cristo. Enquanto o mal tenta marcar a sua presença no mundo pela dominação, pelo egoísmo, pela mentira, pelo ódio e pelo desespero, Deus marca a sua presença despertando seres humanos para a esperança, para a vida,para a liberdade, para a verdade, para o amor incondicional.
O bem e o mal, a justiça de Deus e o pecado estão presentes em cada coração e ambos podem exercer poder sobre as pessoas. Cada ser humano trava uma luta interior para que o poder que reina na sua vida não seja outro senão o de Deus e os frutos da sua presença sejam manifestos. A condição para isso acontecer é reconhecermos a nossa fraqueza: Quando sou fraco, aí sou forte, afirma o apóstolo Paulo. Quer dizer, quando reconheço que não sou tão forte como gostaria de ser, aí Deus pode agir em mim.
Costuma-se dizer que uma pessoa só pode ser ajudada quando reconhece que precisa de ajuda. Em assuntos de fé, também é assim. Enquanto o ser humano pensa que pode viver sozinho sem buscar na Palavra aquilo que Cristo ensina, ele vive andando nos círculos do seu próprio pecado, do seu orgulho e das vãs tentativas de autojustifi cação.
A cruz nos lembra de que, por trás de um gesto de aparente fraqueza, pode estar oculta uma força extraordinária, capaz de transformar o mundo. A presença, o poder e o conhecimento de Deus se tornam concretos na nossa vida quando nos deixamos amar por Deus e amamos sem medida, assim como Deus, em Cristo, nos amou.
Para refletir, leia 2Coríntios 12.9-10
Por que Deus não termina com as dores do mundo?
Cat. Juliana Ruaro Zachow, formada em Teologia, com ênfase em Educação Cristã, pela Faculdades EST, em São Leopoldo/RS. Atua na Paróquia de Cascavel/PR
Ao longo dos tempos, essa pergunta acompanha a humanidade. Ao ouvirem falar sobre um Deus bom, mas que permite tanta tristeza e sofrimento no mundo, muitas pessoas vivem verdadeiras crises.
Grupos ateístas costumam proferir ataques contra a fé, argumentando que, ao longo da história, as religiões, inclusive o cristianismo, não só se omitiram diante da violência como se utilizaram dela para alcançar os seus objetivos.
Falando especifi camente em guerras, fome e miséria, precisamos admitir que, em grande parte, estas têm a sua origem na ânsia pelo poder, além do egoísmo e da ganância que dominam muitos corações e Governos no nosso mundo.
Jesus afirma que não podemos servir a dois senhores: servimos a Deus ou servimos ao mundo, servimos ao Espírito ou nos entregamos aos desejos da natureza humana. Deus nos faz livres para acolher ou rejeitar a sua graça. Percebemos claramente que, nos lugares onde a Sua graça é acolhida, ali as relações são transformadas e a partilha, a solidariedade e a justiça começam a florescer.
Por outro lado, quando pensamos na dor provocada, por exemplo, pelas doenças, devemos ser cautelosos. Em lugar algum da Bíblia encontramos passagem em que se afirme que a pessoa cristã não enfrentará dores e dificuldades dessa espécie. Pelo contrário, Jesus Cristo disse No mundo, passai por afl ições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16.33). Em outra passagem, muito conhecida, Jesus diz: Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me (Marcos 8.34).
É importante salientar que a doença e a dor não são castigos ou karmas, como algumas religiões afi rmam. Antes, nos lembram da nossa condição humana. Somos seres limitados, imperfeitos, frágeis, vulneráveis. Não temos morada defi nitiva aqui neste mundo. Caminhamos para o mundo que vem depois, que Deus já preparou para nós. Lá não haverá choro nem lágrimas nem sofrimento nem doenças, tampouco guerras. Até chegarmos lá, o chamado do Evangelho é carregarmos as nossas cruzes, ou seja, devemos continuar caminhando sem desistir, enfrentando a dor e o sofrimento que vierem com todas as forças que Deus nos dá.
A morte foi vencida porque Jesus Cristo a enfrentou. A nossa vitória também acontece quando enfrentamos e vencemos aquilo que nos oprime e atemoriza. Dessa forma, daremos um testemunho vivo da fé e do amor que nos sustenta. Como bem afirma o apóstolo Paulo (Romanos 5): Também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. A esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
Para refletir, leia 2Coríntios 4.16-5.10