É preciso anunciar a restauração da paz e convidar para esta caminhada. É chamar para que se disponham a evangelizar na cidade, espalhando, pregando ou testemunhando a Palavra de Deus. Deus continua nos dizendo a mesma mensagem, em pleno cativeiro moderno: ‘Procurai a paz da cidade e orai por ela ao Senhor, porque na sua paz vós terei paz’, frisou o P. Lauri Becker, Pastor Sinodal do Sínodo Rio Paraná
A palavra profética de Jeremias é destinada ao povo de Judá, levado ao cativeiro babilônico devido à desobediência e à idolatria. Neste contexto, Deus usa o profeta Jeremias para anunciar que o exílio duraria 70 anos, tempo durante o qual o povo deveria cuidar da sua vida, construindo casas para morar, trabalhando na terra e se alimentando do seu fruto. Também casando e gerando filhos, filhas, porque haveria o dia em que eles sairiam daquela situação catastrófica e voltariam para a sua terra em Jerusalém. Era tempo em que eles deveriam trabalhar, orar pela cidade onde estavam exilados e procurar viver normalmente, aguardando pela providência divina, ou seja, ao povo que estava cativo na Babilônia, Deus ordenou que trabalhasse para o bem da cidade que os fazia prisioneiros.
Essa visão de Deus contrapõe a mentalidade daqueles que amaldiçoavam ou queriam ver a desgraça acontecer ao povo que os havia escravizado. Deus transforma a raiva em algo construtivo e de cuidado para com a cidade que habitavam, chama o seu povo para trabalhar e cuidar do lugar onde vive. Este é o lugar em que devem construir um mundo de esperança, que os auxiliará a enfrentar todos os sofrimentos da prisão/exílio. Deus envia Jeremias para anunciar uma nova perspectiva de vida, sentido e esperança para a existência deste povo.
A IECLB enfrenta dificuldades para crescer nas cidades. Em algumas realidades, torna-se relativamente isolada ou uma ilha cristã dentro do mar de prédios e culturas da cidade. O que fez o cristianismo prosperar nos primeiros séculos dentro da cidade (Apóstolo Paulo) e que hoje perdemos ou deixamos de fazer? Que difi culdades assustam os cristãos luteranos nas cidades? A forma de trabalharmos e anunciamos o Evangelho não precisa ser revista? As pessoas que congregavam na IECLB não mudaram a forma de ver, pensar e agir? Na história da IECLB, não esquecemos das cidades em detrimento de uma IECLB que foi rural e agrícola? A sociedade mudou e a realidade das nossas Comunidades também. A IECLB necessita acompanhar este processo e tornar-se ágil para anunciar a Boa Nova nestas realidades sociais e relacionais.
Não podemos mais falar somente sobre as coisas rurais para as pessoas do campo, e a respeito das coisas urbanas para as pessoas que vivem nas cidades. Precisamos falar para dentro da realidade de cada ser humano. É buscar estar junto das suas necessidades e das suas carências. É ter coragem de ir ao encontro dos seus ‘cativeiros modernos’, que o aprisionam na cidade, cultura, classe social, sede em ter e consumir, indiferença, isolamento…