Embora tenha ocorrido no mês passado, 16 de junho de 2015, infelizmente o assunto vai continuar atual por muito tempo. Refiro-me à pedrada que a menina Kailane Campos levou na cabeça ao sair do seu lugar de culto. Na mesma semana, também no Rio de Janeiro, um templo religioso foi alvo de agressão. Um fato como tantos outros que não são noticiados.
São pessoas convictas da sua fé que agridem fiéis das religiões de origem africana e os seus espaços de cultos. Lamentavelmente, aprenderam a odiar e a demonizar outras formas de crer em suas próprias igrejas, onde pastores incitam ao ódio e à agressão, com as suas pregações que enxergam os demônios nos outros, menos neles mesmos.
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Como explicar tanta violência? |
Em seu artigo 5º, a Constituição Federal garante a liberdade de culto a todas as pessoas, bem como sustenta o direito de liturgia a cada religião. Portanto, todos os símbolos e espaços religiosos precisam ser respeitados.
Como somos evangélicos, aconselho que nos identifiquemos logo como luteranos – evangélico-luteranos – para não sermos confundidos com pessoas que agridem os espaços sagrados das pessoas que creem de outra forma. Não é difícil saber de que denominações vêm o incitamento ao ódio e à demonização. É só ligar a TV! Agora, se você for a um culto de muitas igrejas, verá que a violência lá é maior ainda. Na TV, se ‘doura a pílula’.
Estamos, pois, em um momento de intolerância religiosa que se agrava. Estamos cada vez mais perto das agressões aos negros nos Estados Unidos e à beira dos ataques de grupos extremistas que degolam e matam os infiéis. Tudo em nome da fé, mas não do Deus anunciado por Jesus.
Quem sempre considerou o nosso país pacífico, precisa rever os seus conceitos. Somos uma nação violenta. Como disse um sábio, cada povo adora as suas formas de violência. Há violência nas casas, contra mulheres e crianças, contra as pessoas negras e as suas crenças, no trânsito, nos estádios de futebol e contra homossexuais. Só faltava a violência em nome da fé. Esta aí, exigindo interferência do Estado.
Como explicar tanta violência em um país onde mais de 85% das pessoas se confessam cristãs e quase todas se dizem religiosas? Quando a fé descarta totalmente a dúvida, ela se torna violenta. Para rir desta fé violenta, vejam a comédia/romance Fé demais não cheira bem, com Steve Martin.