Correu pelo mundo a cena do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao lado da sua esposa, Michelle Obama, fazendo um autorretrato com a Primeira Ministra da Dinamarca, Helle Thorning Schmidt, em um aparelho celular. A cena dos dois políticos rindo e se autofotografando não teria tido um impacto tão grande se não tivesse acontecido no velório de Nelson Mandela, ex-Presidente da África do Sul e Nobel da Paz, ocorrido em 10 de dezembro de 2013.
A Primeira Ministra e o Presidente Obama comportaram-se como os jovens que costumam fazer autorretratos a toda hora, o que vem sendo traduzido pelo termo selfie – a nova palavra da Língua Inglesa que se espalhou pelo mundo no ano passado.
Mesmo sendo uma nova palavra, selfie nomeia uma realidade muito antiga e tão comum no nosso tempo. Conta o mito que Narciso se encantou tanto consigo e com a sua beleza, que, ao ver-se espelhado na água, tentou se abraçar, afogando-se. O amor exagerado por si e pela sua beleza pode ser fatal. A palavra ‘selfie’ estaria denunciando uma onda de narcisismo?
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Logo, será tempo de antissel e: Paixão |
Mandela não foi afetado pelo encanto por si mesmo. Ao contrário, colocou a sua vida a serviço de uma causa: superar um regime em que brancos oprimiam a população negra. Também foi celebrado e será lembrado como um Político que não olhou para os próprios interesses, abrindo mão da vingança em nome da justiça reconciliadora.
Como teremos eleições neste ano, esperamos que candidatos e eleitores possam se espelhar em Mandela, abolindo a palavra selfie. Espelhando-se em Mandela, não morrerão afogados nos seus próprios interesses à custa da dor e da miséria de milhões de brasileiros e brasileiras.
Independente da sua confi ssão religiosa, Mandela fez da sua vida o que a mulher de Betânia fez com Jesus, tempos antes da sua morte, ao derramar um frasco de perfume caro sobre a sua cabeça, o que deve ter custado um ano de trabalho.
Os discípulos de Jesus viram naquele gesto um desperdício de dinheiro, que poderia ter sido dado aos pobres (Mateus 26.6-13). Jesus, porém, admoestou os discípulos a não aborrecerem a mulher. O que ela fez foi perfumar o meu corpo para o meu sepultamento, disse Jesus.
Mandela e a mulher de Betânia ignoram a palavra selfie e o que ela signifi ca. Antes teriam visto no espelhinho do celular o próprio Jesus, que ‘desperdiçou’ a sua vida por nós. Ele apaixonou-se por nós. Logo, será tempo de antisselfie – Paixão.