O discurso de cuidado com o meio ambiente e do uso racional dos recursos é extremamente enganoso e dúbio. Em nenhum momento da sua história, o ser humano depredou e exauriu tanto os recursos naturais e maltratou o meio ambiente como no momento atual. Predomina uma luta desigual, que privilegia interesses públicos e privados, exigindo sacrifícios humanos e ambientais. O tema da economia como instrumento para a distribuição justa dos meios de sustento da vida é uma discussão urgente.
A ação humana sobre a Boa Criação de Deus, por meio de empreendimentos de interesses públicos ou empresariais, está cercada por um mito religioso e de fidelidade a um ídolo: o desenvolvimento com base na reprodução do dinheiro. Essa ação restaura o caos, o qual Deus superou com a Criação. Essa tem sido a nossa experiência no Sínodo Noroeste Riograndense, no caso concreto dos conflitos levantados pelos projetos de construção de barragens no Rio Uruguai.
O caos social e ambiental se instala por meio da legalização dos projetos. As licenças ambientais são emitidas por decisão política. A ordem é atender as demandas econômicas mais imediatas. Os critérios técnicos que apontam para os riscos ambientais e sociais não importam e há que se atender o quanto antes aos interesses puramente políticos e econômicos.
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Em nenhum momento da sua história, o ser humano depredou e exauriu tanto os recursos naturais e maltratou o meio ambiente como no momento atual. |
Impõe-se a visão que os rios e a natureza são apenas mercadorias e, portanto, devem servir aos interesses do mercado, enquanto os seres humanos são empecilhos a serem removidos. Nesse contexto, desde 2012, por meio da PEC 65, o agente público propõe a supressão do licenciamento ambiental estabelecido a partir das três etapas (Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação), que são importantes para minimizar impactos e garantir os direitos ambientais e da população atingida. Retira também a obrigatoriedade das audiências públicas, que são o único momento de participação da população no processo. É necessário flexibilizar a lei, tornando-a oportunista e imoral.
As barragens provocam um caos econômico. Quando começa o empreendimento, ‘dois mundos entram em choque’, com a invasão das corporações estranhas às Comunidades atingidas. Comunidades perdem os seus meios de vida que até ali vinham assegurando o acesso à distribuição justa dos meios de sustento (a terra, o patrimônio, a Comunidade, a memória coletiva e o uso compartilhado de recursos). A responsabilidade com o bom cuidado da Criação entra em conflito com os interesses do Estado e dos empreendedores públicos ou privados, que, a partir de uma ótica de mercado, entendem o território como mercadoria.
Essas são questões centrais que envolvem a preocupação e a consequente responsabilidade cristã em cuidar bem da Criação de Deus. O que não podemos mais é esconder essa realidade. Ela está cada vez mais presente no nosso cotidiano. O uso dos recursos da Boa Criação de Deus não pode ser tratado apenas como mercadoria, cujo interesse último e final é satisfazer os interesses agressivos do mercado.
Para refletir, leia Isaías 11.1-5
P. Renato Küntzer | Ministro na Paróquia de Três de Maio/RS
Cuidado com o sustento da Comunidade
Desde os seus primórdios, a Comunidade Cristã tem se empenhado no cuidado com o sustento da mesma. Ao lermos o Novo Testamento, percebemos este cuidado e compromisso, em que as arrecadações eram administradas pelos Apóstolos (At 2.44-45).
A contribuição espontânea, que deveria ser feita com base na fé, na gratidão e no compromisso, como membros do Corpo, tem-se mostrado de forma inversa nas Igrejas históricas, em que impera o ‘Quanto devo pagar?’, ‘Qual é o valor da anuidade?’, quando não se tem o desleixo de esquecer a contribuição, ou seja, as coisas de Deus nunca estão em primeiro lugar!
Como membros, necessitamos criar consciência da nossa Mordomia Cristã, que é a gestão responsável de todos os bens disponíveis, partindo do princípio que nada temos, ou seja, somos apenas mordomos dos bens a nós confiados por Deus. Administramos algo que não nos pertence, mas cabe a nós usufruir destes bens que nos são confiados, administrando com cuidado e responsabilidade, pois, um dia, seremos cobrados daquilo que Deus nos confiou.
Quando falamos em Mordomia, duas verdades devem ser lembradas: (a) a pessoa cristã ouve e aprende com alegria a Palavra de Deus, pois, por meio da Palavra, surge a fé e (b) por meio da fé, praticamos a Palavra de Deus ao máximo que podemos.
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A fé nos leva a sermos pessoas agradecidas e a gratidão estimula a um compromisso constante com a Igreja, a Comunidade e os seus trabalhos. |
Em Tiago 1.22, está escrito: Tornai-vos, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Portanto, quando ouvimos e praticamos a Palavra de Deus, estamos sendo honestos com Deus e assim seremos abençoados.
No Novo Testamento, o cuidado com o sustento da Comunidade acontece no ato de contribuir espontaneamente, ação ligada à fé e que nos leva a ter confiança em Deus e a sermos generosos nas contribuições e nas ofertas para o trabalho da Igreja (2Co 9.7).
Quando falamos em espontaneidade, estamos falando sobre liberdade e gratidão. É algo que fazemos sem imposição ou obrigação. Pela alegria da salvação em Cristo, não consideramos nada nosso, mas colocamos tudo o que temos aos seus cuidados. A fé nos leva a sermos pessoas agradecidas. A gratidão, por sua vez, nos estimula a um compromisso constante com a nossa Igreja, a nossa Comunidade e os seus trabalhos.
A contribuição financeira é parte imprescindível no exercício da fé, pois ajuda a desenvolver o desprendimento material, a depender do cuidado de Deus e a expressar a nossa adoração – por meio da gratidão. Na Bíblia, somos lembrados que: Cada um separe a quantia de acordo com a sua renda (1Co 16.2) e Cada um dê conforme determinou o seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria (2Co 9.7).
A fé estimula gratidão e compromisso também por meio de contribuições financeiras para a continuidade da Missão da Igreja neste mundo. Seja fiel com a sua contribuição. Você não está pagando, mas, sim, contribuindo!
Para refletir, leia 2Corintios 9.6-15
P. Benito Holz Konflanz | Ministro na Paróquia Apóstolo Paulo, em São Luiz Gonzaga/RS