O Tema do Ano da IECLB para 2017 apresenta a Rosa de Lutero, o símbolo mais conhecido do luteranismo, com cores e motivos brasileiros. A arte proposta afirma o que pensa a fé luterana na sua atuação em território brasileiro. Esta arte não substitui a Rosa ‘original’. A Rosa de Lutero, com as cores escolhidas e explicadas pelo próprio Reformador, permanece como símbolo da Reforma.
Como a arte nos ajuda a expressar e afirmar valores e, ao mesmo tempo, fazer releituras ou atualizações? A Igreja Luterana é uma Igreja sempre em Reforma e tem o compromisso de avaliar constantemente a sua caminhada no contexto onde atua. Nesse sentido, a Rosa de Lutero foi adaptada a partir das cores da bandeira do Brasil.
Como modo de pensar, a arte busca criar variações. A releitura proposta está em consonância com a prática artística de releituras de obras de arte. A compreensão e a leitura de obras de arte estão relacionadas com o modo como a pessoa espectadora se relaciona com a obra de arte.
No Período Modernista, a ênfase recaía sobre a percepção, a leitura formal das qualidades visuais da obra. Na atualidade, a leitura dos elementos formais deu lugar para a interpretação e a recriação de significado a partir da experiência da pessoa espectadora. Passamos da contemplação passiva, do simples olhar, para a interpretação interativa. Desse modo, a releitura implica não só em uma interpretação da obra, mas em uma reconstrução, na produção de um novo objeto em outro contexto e com novos sentidos.
Ao comemorar os 500 anos da Reforma, as Comunidades Luteranas manifestam o seu compromisso com o Evangelho em meio às situações de júbilo e de falta de confiança, entre a ousadia e a tolerância, em meio a situações de injustiça e de esperança. Também por meio da sua releitura da Rosa de Lutero, as luteranas e os luteranos no Brasil afirmam que agora são outros 500!
P. Valdemar Schultz | Pastor e Professor de Artes Visuais na Escola Pastor Dohms, em Porto Alegre/RS